Como manter o teu journal para lá das primeiras semanas
Começaste cheio de vontade e, três semanas depois, o teu journal está numa gaveta. Vê como fazer disto um hábito que fica, com pequenos passos e sem culpa.

Um caderno novo sabe a promessa. Na primeira semana escreves todas as noites, com canetas bonitas e um autocolante no canto. Depois vem uma semana cheia, uma noite em que estás demasiado cansado, e de repente há doze páginas em branco. Soa-te familiar? Não és o único. A boa notícia é que manter o hábito tem menos a ver com disciplina do que pensas, e mais com a forma como o organizas.
Porque é que tanta gente desiste ao fim de umas semanas
Quem passa algum tempo entre pessoas que fazem journaling ouve sempre as mesmas razões. Quase nenhuma tem a ver com preguiça.
- A fasquia está alta demais. Vês spreads lindíssimos de outras pessoas e também queres. Mas uma página assim leva uma hora, e essa hora não a tens todos os dias.
- Preparar já dá trabalho. Se tens de desenhar um mês inteiro antes de escrever alguma coisa, já estás cansado antes de começares a escrever a sério.
- Uma página em branco parece um fracasso. Depois de falhares uns dias, já não te apetece abrir o caderno, porque vês os buracos.
- Nem todos os dias há alguma coisa para contar. Nem todas as terças-feiras são especiais, e encher uma página inteira parece forçado.
- O caderno está longe da vista. Numa mala ou numa gaveta, simplesmente esqueces-te dele.
- Não sabes bem porque o fazes. Sem uma razão, é fácil desistir assim que as coisas correm menos bem.
Olha para trás, para cadernos antigos meio escritos. O que gostavas de escrever, quando paraste, o que parecia uma obrigação? Isso não prova que não és capaz. É informação sobre o que funciona para ti.
Pequenos hábitos: três linhas ou uma fotografia
O maior passo é tornar o passo o mais pequeno possível. Combina contigo uma coisa tão pequena que consigas fazê-la mesmo num dia mau.
Alguns exemplos:
- três linhas: o que fizeste, o que sentiste, uma coisa para recordar
- uma frase, por exemplo algo que o teu filho disse ou o que comeste
- colar uma fotografia ou um postal, com a data
- uma lista de três coisas que te deixaram contente
- só uma palavra-chave ou um pequeno desenho, se mesmo não der para mais
Liga-o a algo que já fazes todos os dias. Depois do café da manhã, antes de ires dormir, no comboio. Deixa o journal num sítio onde o vejas: na mesa de cabeceira ou aberto na secretária, não dentro de um armário.
Escolhe também um formato que combine com a quantidade que escreves. Uma página por dia pode sufocar se escreves pouco, porque todo aquele branco fica a olhar para ti. Uma vista semanal ou um caderno sem datas impressas dá mais espaço. Se és tu a escrever a data, nunca fica uma página em branco quando saltas um dia.
Uma dica de quem o faz há anos: prepara já algumas páginas, por exemplo para duas semanas. Assim não tens de desenhar todos os dias antes de começar. Mas não prepares o caderno inteiro de uma vez. O teu estilo muda, e depois ficas preso a páginas que já não queres.
O que fazer com dias em branco ou semanas falhadas
Deixa-os em branco. Esse é mesmo o conselho mais importante. Pôr a escrita em dia parece responsável, mas quem tenta recuperar dez dias de atraso passa uma noite a escrever sobre coisas que já estão vagas. Depois disso, o caderno pesa mais do que nunca.
Em vez disso, faz assim:
- Começa simplesmente no dia de hoje. Escreve a data e continua.
- Se quiseres mesmo assinalar o intervalo, escreve uma frase: «Semanas cheias, muito trabalho, pouco sono.» Isso também é uma recordação.
- Se aconteceu alguma coisa importante nesse tempo, escreve só isso.
- Cola um postal ou um talão desse período no espaço vazio, sem texto.
Os dias em branco fazem parte de uma vida real. Quem folheia mais tarde não vê os buracos. Vê o que lá está.
Tem de ser todos os dias?
Não. Escrever todos os dias funciona bem para algumas pessoas, porque se torna um ritual fixo. Para outras, é exatamente a regra que as faz desistir.
Também podes optar por:
- algumas vezes por semana, em noites fixas
- um momento ao fim de semana em que revês a semana
- escrever só quando há alguma coisa que queres guardar
O que conta é não parares. Quem escreve três vezes por semana e mantém isso durante um ano tem um caderno muito mais cheio do que quem escreveu todos os dias durante um mês e depois parou. Um journal que de vez em quando fica de lado continua a ser um journal que segue em frente.
Se quiseres manter uma visão geral, podes rever a semana no fim: o que correu bem, o que ficou por fazer, o que levas para a semana seguinte? Cinco minutos chegam.
Decorar como recompensa, não como obrigação
Autocolantes, washi tape (fita decorativa de papel), carimbos e cores tornam um journal giro de abrir. Mas assim que decorar passa a ser uma condição para poderes escrever, torna-se um obstáculo.
Algumas formas de manter tudo leve:
- Escreve primeiro, decora depois. O texto é o journal, o resto é extra.
- Num dia cheio, um autocolante chega para a página parecer acabada.
- Mais vale colar do que desenhar. Uma folha de autocolantes, um pedaço de fita ou uma imagem recortada leva segundos.
- Tem à mão uma bolsinha com fita, autocolantes e um stick de cola, para não teres de ir buscar o material todo.
- Guarda as colagens mais elaboradas para um momento calmo, por exemplo uma vez por semana ou ao domingo à tarde.
Se quiseres, escolhe uma cor por mês para as canetas e a fita. Assim o caderno fica com um ar coerente sem teres de pensar nisso todos os dias.
E não te compares com o que vês online. Ali estão as páginas mais bonitas, não as terças-feiras normais. O teu journal não tem de ser uma obra de arte. É teu, para ti.
Recomeçar sem culpa
Talvez o teu journal esteja parado há meses. Aí a tentação de comprar um caderno novo e começar do zero é grande. Podes fazê-lo, mas não é obrigatório.
Também podes simplesmente continuar no caderno que tens. Abre a próxima página em branco, escreve a data e começa. Se quiseres dizer alguma coisa, escreve uma frase sobre o porquê de teres estado afastado. Depois continua como se nada fosse. Porque não é nada.
Algumas coisas que ajudam a recomeçar:
- Pensa outra vez no porquê de escreveres. Para guardar recordações, para esvaziar a cabeça, para um dia dares algo aos teus filhos? Essa razão ajuda-te a voltar quando as coisas voltarem a correr menos bem.
- Torna o compromisso mais pequeno do que da última vez. Se todos os dias não resultou, experimenta três vezes por semana.
- Experimenta outro formato. Talvez uma agenda semanal, um caderninho para levar na mala ou, pelo contrário, um caderno maior com espaço para colagens funcione melhor.
- Combina um curto período de experiência, por exemplo duas semanas ou um mês. Depois vês se resulta e ajustas.
Manter o hábito não quer dizer nunca parar. Quer dizer voltar sempre. Cada vez que voltas a abrir o caderno, já o mantiveste.
Perguntas sobre este tema
Porque é que desisto sempre do meu journal ao fim de umas semanas?
Normalmente por causa de uma fasquia alta demais, não por preguiça: páginas que levam uma hora, uma preparação que já dá muito trabalho ou uma página em branco que parece um fracasso. Torna o compromisso contigo mais pequeno.
Quanto se deve escrever num journal?
Tão pouco que consigas fazê-lo mesmo num dia mau: três linhas, uma frase ou uma fotografia com a data. Algumas vezes por semana também serve, desde que continues.
O que fazer com páginas em branco ou dias falhados no journal?
Deixa-os em branco e começa simplesmente no dia de hoje. Se quiseres assinalar o intervalo, escreve uma frase ou cola um postal ou um talão desse período.
Como voltar a um journal parado há meses?
Podes simplesmente continuar no mesmo caderno: abre a próxima página em branco, escreve a data e começa. Torna o compromisso mais pequeno do que da última vez e pensa outra vez no porquê de escreveres.


